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Inspiração: o mergulho no eterno AMAR

A inspiração é uma Deusa. Sim! Mulher Divindade.
Um mito para quem não tem a genialidade do sacrifício.
E escreve quando tocado.
Uma doença, que só cessa quando expurgada cada palavra profunda e carnal, que chega perto do que sente as entranhas.
 
A inspiração não é o amor, é o amar.
É a dor lancinante do prazer que o amor provoca.
No momento de gozo carnal profundo.
O amor é fraternal. Nunca é amputado.
Vira cama pronta, numa casa segura.
 
Já o amar é lascivo.
Não encontra terreno confortável.
Encontra obstáculos e abismos escuros.
É o beijo roubado sendo reprimido.
As palavras sussurradas no ouvido…
 
A troca de fluidos com hora para acabar.
O olhar proibido da despedida, sem que a presença deixe cada pedaço; até que a última gota da taça de veneno adormeça a psique de quem padece.
Não encontra solidão no mundo dos mortais.
Pois é a solidão da alma, mente e espírito.
 
A inspiração é o amor com desejar, não tendo.
Sem AMAR é impossível desenhar a mais linda peça.
É impossível seguir em frente no escrever.
Pois a inspiração é a Deusa do amar, mesmo que doa.
Mesmo que cale.
 
Divindade do amar, mesmo que longe.
Serva do sentimento, mesmo escondido em cada canto.
Porque ela não morre, assim como o amar não morre.
A imagem do mergulho no vazio sem querer saber. Se ladrilho ou água.
Sem querer que acabe. A inspiração é uma Deusa.
 

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Finito ou Através dos tempos #crônica #prosa #conto #leitura #ficção

Eu tinha sido princesa. Eu tinha sido viúva.
E todas as vezes que eu voltava de uma viagem no tempo eu sentia falta das pessoas que haviam passado pelas minhas outras vidas.
Conhecidas, desconhecidas…
 
Eu tinha sido mãe. E dona de bordel. 
Tinha aposentado mais cedo e já tinha amado demais.
Morri cedo também, na flor da idade. E zombei do tempo, que outrora era meu aliado.
 
Em todas as viagens que eu fazia por ele em meus sonhos, voltava com uma história diferente pra contar.
Eu tinha a experiência da vida.
E também da finitude.
 
Acordei subitamente.
Levantei com vontade de ir ao banheiro e chorei.
Chorei porque fiquei pensando em você e contigo eu sentia a dor da falta do tempo. 
 
Tempo era justamente o que eu achava que não tinha muito mais quando acordada estava.
Com você o sentimento que ficava é que eu tinha muito amor pra dar.
E ele sufocado num canto qualquer pela falta de… Tempo…
Engasgado. Soterrado.
 
Então eu voltei pro travesseiro e não consegui parar de pensar. 
Veio a voz da poetisa cantando ‘Tempo, tempo, tempo, tempo’…
E se você tivesse aparecido pra reforçar exatamente isso? Que tempo é o que não tenho? 
 
Está na hora de se contentar com o que existe e usar o tal cuidado pra levar uma vida adiante?
Mesmo que sem muito amor?
O contentamento descontente?
 
Me lembrei do professor e de sua secretária.
Do quanto ele viveu e fez escolhas.
E morreu de uma hora pra outra, deixando sua gargalhada enorme preenchendo o espaço infinito.
 
E percebi que talvez a vida seja isso.
A busca incessante pela felicidade com as armas que dispomos.
Alguns arriscam, outros aguentam, pra superar e seguir em frente. 
 
Com o mesmo frescor de ter descoberto o primeiro amor? Nem sempre…

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Eu e você no banco da praça #crônica #prosa #conto #leitura #ficção

E assim eu amo
Pra doer menos
Te amo quieta, te amo e amo
Em cada beijo guardado
Cada abraço não dado
Porque não sei fazer diferente
Amo pra ser fiel à mim mesma
Pois minha natureza é sentir
 
Eu e você no banco da praça
Feito namoro antigo
Falamos da vida
Um pro outro
Sempre de mãos dadas
E atadas
Pra doer menos
 
Engolimos juras de amor
Tentando afastar a culpa
E esquecer as distâncias
Racionalizamos juntos
Tentamos nos convencer
De que tudo se ajeita
Pra doer menos
 
E a gente se abraça de lado
E se beija ofegante
E não se cansa
E se aquece
Coração acelerado
Quase pula do peito
E não dói menos
 
Um olha o relógio
O outro, o celular
É sempre hora de ir embora
De viver a vida escolhida antes da vida na praça
A outra vida, dentro de muitas outras
A vida que seguiu o curso natural
Sem surpresas
O coração apertado
Dói e espreme a garganta
Mas a vida da praça continua
Com as crianças, as bicicletas e os casais apaixonados
Que, como nós, descobrem os arbustos e as velhas árvores, os cantos escuros e os bancos quietos
Que guardam segredos
 
As pernas demoram, mas se entrelaçam
E nada faz sentido
E com um beijo, tudo faz sentido
Insanidades passam pela cabeça
E as juras de amor continuam sufocadas
Jogadas nas entrelinhas, diluídas
Amenizadas pela realidade
E o desejo de acabar logo permanece
Pra doer menos
O desejo calado de não mais sentir
Pra doer menos
A vida é mais fácil sem as armadilhas do coração
Mas não acaba, e não dá vontade de partir
 

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