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Suspiros ao vento

urca

E o Rio de Janeiro guarda doces segredos.

Suspirou. Inspiração profunda. Lamento doce e melancólico de tristeza, desejo, amor e saudades. A vida seria menos colorida com a partida dele. Coração marcado a ferrete. Escrava dos sentimentos, implorava secretamente por um acontecimento qualquer que tirasse ela da condição de subjugada. No entanto caiu na real que o acontecimento era ela própria. Deixar o tempo resolver nunca fez brilhar seus olhos. Dona da sua vida, corre atrás do que quer ou foge do que não quer. O amor sempre foi o mais importante em sua existência. Sabia que sofreria um bocado por ser mais coração. Isso já estava traçado em sua trajetória terrena. E o amor engaiolado não tinha valor pra ela. O bom de amar é o exercício do sentimento. Gritar aos quatro ventos e fazer o amor crescer. Isso sim ela queria. Amor engaiolado é sofrimento. E nasceu para sorrir. A vida seria menos colorida certamente, mas as pipas estão soltas no céu.

Anaïs Nin — ‘Throw your dreams into space like a kite, and you do not know what it will bring back, a new life, a new friend, a new love, a new country.’

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Arquivado em Crônica, Prosa

Não é tentar #verso #poesia

Terê  Amar sozinho é desperdício
  Amor não é sacrifício
  Quero amar contigo, eu peço
  Se sozinha, me despeço
  E vou me encaminhar
  Pra sozinha me achar.

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Arquivado em Poesia

Amontoados #leitura #verso #poema

Amontoam-se pensamentos
Livros, caixas, garrafas,
Ilusões, desejos, quereres,
Amores, traições, prazeres…
 
Amontoam-se frustrações,
Tampinhas, bilhetes, marafas,
Trolhas, frustrações, trapaças,
Amizades, lealdades, desgraças…
 
Amontoam-se libertinagens,
Vadiagens, copos, remorsos,
Destroços, traquinagens, paisagens,
Relacionamentos, situações, sacanagens…
 
Amontoam-se vidas, bandidas, perdidas…
Amontoam-se sonhos, saídas, viagens….
Amontoam-se suspiros, lágrimas e… coragem.
 
 

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Arquivado em Arte, Ideias, Impressões

Finito ou Através dos tempos #crônica #prosa #conto #leitura #ficção

Eu tinha sido princesa. Eu tinha sido viúva.
E todas as vezes que eu voltava de uma viagem no tempo eu sentia falta das pessoas que haviam passado pelas minhas outras vidas.
Conhecidas, desconhecidas…
 
Eu tinha sido mãe. E dona de bordel. 
Tinha aposentado mais cedo e já tinha amado demais.
Morri cedo também, na flor da idade. E zombei do tempo, que outrora era meu aliado.
 
Em todas as viagens que eu fazia por ele em meus sonhos, voltava com uma história diferente pra contar.
Eu tinha a experiência da vida.
E também da finitude.
 
Acordei subitamente.
Levantei com vontade de ir ao banheiro e chorei.
Chorei porque fiquei pensando em você e contigo eu sentia a dor da falta do tempo. 
 
Tempo era justamente o que eu achava que não tinha muito mais quando acordada estava.
Com você o sentimento que ficava é que eu tinha muito amor pra dar.
E ele sufocado num canto qualquer pela falta de… Tempo…
Engasgado. Soterrado.
 
Então eu voltei pro travesseiro e não consegui parar de pensar. 
Veio a voz da poetisa cantando ‘Tempo, tempo, tempo, tempo’…
E se você tivesse aparecido pra reforçar exatamente isso? Que tempo é o que não tenho? 
 
Está na hora de se contentar com o que existe e usar o tal cuidado pra levar uma vida adiante?
Mesmo que sem muito amor?
O contentamento descontente?
 
Me lembrei do professor e de sua secretária.
Do quanto ele viveu e fez escolhas.
E morreu de uma hora pra outra, deixando sua gargalhada enorme preenchendo o espaço infinito.
 
E percebi que talvez a vida seja isso.
A busca incessante pela felicidade com as armas que dispomos.
Alguns arriscam, outros aguentam, pra superar e seguir em frente. 
 
Com o mesmo frescor de ter descoberto o primeiro amor? Nem sempre…

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Arquivado em Arte, Crônica, Prosa

Eu e você no banco da praça #crônica #prosa #conto #leitura #ficção

E assim eu amo
Pra doer menos
Te amo quieta, te amo e amo
Em cada beijo guardado
Cada abraço não dado
Porque não sei fazer diferente
Amo pra ser fiel à mim mesma
Pois minha natureza é sentir
 
Eu e você no banco da praça
Feito namoro antigo
Falamos da vida
Um pro outro
Sempre de mãos dadas
E atadas
Pra doer menos
 
Engolimos juras de amor
Tentando afastar a culpa
E esquecer as distâncias
Racionalizamos juntos
Tentamos nos convencer
De que tudo se ajeita
Pra doer menos
 
E a gente se abraça de lado
E se beija ofegante
E não se cansa
E se aquece
Coração acelerado
Quase pula do peito
E não dói menos
 
Um olha o relógio
O outro, o celular
É sempre hora de ir embora
De viver a vida escolhida antes da vida na praça
A outra vida, dentro de muitas outras
A vida que seguiu o curso natural
Sem surpresas
O coração apertado
Dói e espreme a garganta
Mas a vida da praça continua
Com as crianças, as bicicletas e os casais apaixonados
Que, como nós, descobrem os arbustos e as velhas árvores, os cantos escuros e os bancos quietos
Que guardam segredos
 
As pernas demoram, mas se entrelaçam
E nada faz sentido
E com um beijo, tudo faz sentido
Insanidades passam pela cabeça
E as juras de amor continuam sufocadas
Jogadas nas entrelinhas, diluídas
Amenizadas pela realidade
E o desejo de acabar logo permanece
Pra doer menos
O desejo calado de não mais sentir
Pra doer menos
A vida é mais fácil sem as armadilhas do coração
Mas não acaba, e não dá vontade de partir
 

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