Arquivo da categoria: Prosa

Faiscador Livremente e as Rimas que vêm do Ventre #poesia #poema #rima #leitura #amor #vida #texto #exposição

eurimo

Ontem ganhei do meu irmão o ‘Dicionário de Rimas da Língua Portuguesa’. Este post é uma homenagem. De mente livre, pensado em meu blog, hoje esporádico, Faiscador:

Perpetuando

A ousadia liberta a alma encarcerada
Livre-se de suas amarras
Seja você e ame a bondade
Nada mais importa, só sua existência
Abra as suas portas e janelas
Deixe-as escancaradas
Vivemos para encontrarmos nossa essência
Somos únicos
Não devemos nada ao outro que reclama
Cada um segue o seu rumo e a quem ama

.:. Faiscador .:.
12/01/09:58

Segue a rima, usando meu novo e maravilhoso dicionário extraordinário:

Perpetuando

A ousadia liberta a alma encarcerada
Como o corpo da pessoa guarda-chuvada
Em casa, suas amarras, portas e janelas
Pela chuva que cai com a existência delas
Bondade e segurança guardam e não importam
Encarceradas, moças jovens se entortam
Versos, livres, sempre em essência
Somos únicos, seres, sem advertência
Não devemos nada ao outro que reclama
Cada um segue o seu rumo e o de quem ama

.:. (?) .:.
23/01/01:18

Anúncios

Deixe um comentário

23 de janeiro de 2015 · 4:47

Quebra-cabeça #amor #devaneio

Senti você no banheiro
Retrato do tudo
Não tomei banho o dia inteiro
Meu corpo desnudo

Faço um monte de coisas quando não estou com você. Mas o que mais faço é dar voltas no mesmo lugar. Pra nunca parar de pensar no que seria te amar…

Deixe um comentário

Arquivado em Arte, Crônica, Glamour, Ideias, Impressões, Prosa

Inspiração: o mergulho no eterno AMAR

A inspiração é uma Deusa. Sim! Mulher Divindade.
Um mito para quem não tem a genialidade do sacrifício.
E escreve quando tocado.
Uma doença, que só cessa quando expurgada cada palavra profunda e carnal, que chega perto do que sente as entranhas.
 
A inspiração não é o amor, é o amar.
É a dor lancinante do prazer que o amor provoca.
No momento de gozo carnal profundo.
O amor é fraternal. Nunca é amputado.
Vira cama pronta, numa casa segura.
 
Já o amar é lascivo.
Não encontra terreno confortável.
Encontra obstáculos e abismos escuros.
É o beijo roubado sendo reprimido.
As palavras sussurradas no ouvido…
 
A troca de fluidos com hora para acabar.
O olhar proibido da despedida, sem que a presença deixe cada pedaço; até que a última gota da taça de veneno adormeça a psique de quem padece.
Não encontra solidão no mundo dos mortais.
Pois é a solidão da alma, mente e espírito.
 
A inspiração é o amor com desejar, não tendo.
Sem AMAR é impossível desenhar a mais linda peça.
É impossível seguir em frente no escrever.
Pois a inspiração é a Deusa do amar, mesmo que doa.
Mesmo que cale.
 
Divindade do amar, mesmo que longe.
Serva do sentimento, mesmo escondido em cada canto.
Porque ela não morre, assim como o amar não morre.
A imagem do mergulho no vazio sem querer saber. Se ladrilho ou água.
Sem querer que acabe. A inspiração é uma Deusa.
 

Deixe um comentário

Arquivado em Crônica, Ideias, Prosa

Suspiros ao vento

urca

E o Rio de Janeiro guarda doces segredos.

Suspirou. Inspiração profunda. Lamento doce e melancólico de tristeza, desejo, amor e saudades. A vida seria menos colorida com a partida dele. Coração marcado a ferrete. Escrava dos sentimentos, implorava secretamente por um acontecimento qualquer que tirasse ela da condição de subjugada. No entanto caiu na real que o acontecimento era ela própria. Deixar o tempo resolver nunca fez brilhar seus olhos. Dona da sua vida, corre atrás do que quer ou foge do que não quer. O amor sempre foi o mais importante em sua existência. Sabia que sofreria um bocado por ser mais coração. Isso já estava traçado em sua trajetória terrena. E o amor engaiolado não tinha valor pra ela. O bom de amar é o exercício do sentimento. Gritar aos quatro ventos e fazer o amor crescer. Isso sim ela queria. Amor engaiolado é sofrimento. E nasceu para sorrir. A vida seria menos colorida certamente, mas as pipas estão soltas no céu.

Anaïs Nin — ‘Throw your dreams into space like a kite, and you do not know what it will bring back, a new life, a new friend, a new love, a new country.’

Deixe um comentário

Arquivado em Crônica, Prosa

Finito ou Através dos tempos #crônica #prosa #conto #leitura #ficção

Eu tinha sido princesa. Eu tinha sido viúva.
E todas as vezes que eu voltava de uma viagem no tempo eu sentia falta das pessoas que haviam passado pelas minhas outras vidas.
Conhecidas, desconhecidas…
 
Eu tinha sido mãe. E dona de bordel. 
Tinha aposentado mais cedo e já tinha amado demais.
Morri cedo também, na flor da idade. E zombei do tempo, que outrora era meu aliado.
 
Em todas as viagens que eu fazia por ele em meus sonhos, voltava com uma história diferente pra contar.
Eu tinha a experiência da vida.
E também da finitude.
 
Acordei subitamente.
Levantei com vontade de ir ao banheiro e chorei.
Chorei porque fiquei pensando em você e contigo eu sentia a dor da falta do tempo. 
 
Tempo era justamente o que eu achava que não tinha muito mais quando acordada estava.
Com você o sentimento que ficava é que eu tinha muito amor pra dar.
E ele sufocado num canto qualquer pela falta de… Tempo…
Engasgado. Soterrado.
 
Então eu voltei pro travesseiro e não consegui parar de pensar. 
Veio a voz da poetisa cantando ‘Tempo, tempo, tempo, tempo’…
E se você tivesse aparecido pra reforçar exatamente isso? Que tempo é o que não tenho? 
 
Está na hora de se contentar com o que existe e usar o tal cuidado pra levar uma vida adiante?
Mesmo que sem muito amor?
O contentamento descontente?
 
Me lembrei do professor e de sua secretária.
Do quanto ele viveu e fez escolhas.
E morreu de uma hora pra outra, deixando sua gargalhada enorme preenchendo o espaço infinito.
 
E percebi que talvez a vida seja isso.
A busca incessante pela felicidade com as armas que dispomos.
Alguns arriscam, outros aguentam, pra superar e seguir em frente. 
 
Com o mesmo frescor de ter descoberto o primeiro amor? Nem sempre…

Deixe um comentário

Arquivado em Arte, Crônica, Prosa

Eu e você no banco da praça #crônica #prosa #conto #leitura #ficção

E assim eu amo
Pra doer menos
Te amo quieta, te amo e amo
Em cada beijo guardado
Cada abraço não dado
Porque não sei fazer diferente
Amo pra ser fiel à mim mesma
Pois minha natureza é sentir
 
Eu e você no banco da praça
Feito namoro antigo
Falamos da vida
Um pro outro
Sempre de mãos dadas
E atadas
Pra doer menos
 
Engolimos juras de amor
Tentando afastar a culpa
E esquecer as distâncias
Racionalizamos juntos
Tentamos nos convencer
De que tudo se ajeita
Pra doer menos
 
E a gente se abraça de lado
E se beija ofegante
E não se cansa
E se aquece
Coração acelerado
Quase pula do peito
E não dói menos
 
Um olha o relógio
O outro, o celular
É sempre hora de ir embora
De viver a vida escolhida antes da vida na praça
A outra vida, dentro de muitas outras
A vida que seguiu o curso natural
Sem surpresas
O coração apertado
Dói e espreme a garganta
Mas a vida da praça continua
Com as crianças, as bicicletas e os casais apaixonados
Que, como nós, descobrem os arbustos e as velhas árvores, os cantos escuros e os bancos quietos
Que guardam segredos
 
As pernas demoram, mas se entrelaçam
E nada faz sentido
E com um beijo, tudo faz sentido
Insanidades passam pela cabeça
E as juras de amor continuam sufocadas
Jogadas nas entrelinhas, diluídas
Amenizadas pela realidade
E o desejo de acabar logo permanece
Pra doer menos
O desejo calado de não mais sentir
Pra doer menos
A vida é mais fácil sem as armadilhas do coração
Mas não acaba, e não dá vontade de partir
 

Deixe um comentário

Arquivado em Arte, Crônica, Prosa

O Amor não é filme

Era uma vez uma menina, a Sonhadora.

Ela começou sonhando calada e não entendia quando era chegada a hora de gritar. Um dia encontrou Controle disfarçado de Amor e caiu por ele. Quem é que não quer o Amor presente? Ele é o alimento da alma e faz a vida ter sentido. Amar é querer proximidade e saber o que está buscando. Controle se apresentou muito bem, arrancando admiração da Sonhadora, mas não era real e sim um personagem calculado.

Na cabeça da menina ecoava a cada escorregão:

♪ – A gente devia ser como o pessoal do filme, poder cortar as partes chatas da vida, poder evitar os acontecimentos! ♪

Mas não era isso que ela sentia! Acreditava e queria encontrar o verdadeiro Amor. Aquele que não manipula, seduz ou engana. Sabia que o Amor não faz esforço para parecer o que não é. Não é aquele que ensaia o próximo passo para dar continuidade à trama… “Não, o Amor não é filme”, pensava Sonhadora. Filme é trama, ensaio, é arte, imitação. Sonhadora queria mais do que isso.

Queria cumplicidade de interesses, amizade, respeito e segurança. Queria entender e aceitar imperfeições, erros, fragilidades, escorregões  e fracassos. Sonhadora teria muito que aprender para reconhecer o Amor quando ele aparecesse. Ainda mais porque Controle trazia satisfação. Era vaidoso, autoritário, eficiente e intenso, mas não lhe dava tranquilidade e nem felicidade. Inebriada de pujança não conseguia enxergar o desejo de sua alma e demorou a livrar-se de Controle.

Até que resolveu procurar Solidão, sua amiga de longa data, para um desabafo profundo.

Solidão ouviu com paciência e calma, tomando cuidado redobrado para não assustar Sonhadora, que evitava a tristeza e ainda não via em Solidão uma parceira importante para sentir de dentro o que realmente desejava. Solidão viu de um lado Sonhadora, buscando felicidade, e de outro Controle, buscando satisfação. Porém ficou aliviada ao ver que Sonhadora estava no caminho certo, procurando ajuda para ouvir seu próprio coração. Solidão só pedia que Sonhadora fosse honesta consigo mesma.

E tivesse serenidade.

Sonhadora se isolou com Solidão por um bom tempo, mesmo quando estava cercada de pessoas e afazeres. Deixou a amiga dentro do peito para que ela a ajudasse a ouvir o que vinha de sua essência. E foi só quando percebeu que faltava honestidade entre os dois que decidiu abandonar Controle para tomar as rédeas dos seus desejos. E assim seguiu por um tempo. Amor chegou sem avisar e ela, de tão cuidadosa, não acreditou logo de primeira. Contudo, até que foi bom.

Tsuru: felicidade, saúde e sorte

Sonhadora deixou o sentimento amadurecer e quis entender o que estavam sentindo. Cruzaram os desejos dos dois para saber se seriam cúmplices. Compartilharam seus anseios para ver se havia respeito. Generosa e amorosa, abriu seu coração para fazer crescer segurança e assim o verdadeiro Amor a conquistou.

Hoje, ainda sonhadora, dorme com o cheiro das rosas e o canto dos pássaros coloridos em seus sonhos.

Ela sabe o que quer e o jeito que pode ser.
Nunca mais Sonhadora abrirá espaço para Controle em sua vida.

3 Comentários

Arquivado em Crônica, Prosa