Arquivo do mês: março 2012

O Amor não é filme

Era uma vez uma menina, a Sonhadora.

Ela começou sonhando calada e não entendia quando era chegada a hora de gritar. Um dia encontrou Controle disfarçado de Amor e caiu por ele. Quem é que não quer o Amor presente? Ele é o alimento da alma e faz a vida ter sentido. Amar é querer proximidade e saber o que está buscando. Controle se apresentou muito bem, arrancando admiração da Sonhadora, mas não era real e sim um personagem calculado.

Na cabeça da menina ecoava a cada escorregão:

♪ – A gente devia ser como o pessoal do filme, poder cortar as partes chatas da vida, poder evitar os acontecimentos! ♪

Mas não era isso que ela sentia! Acreditava e queria encontrar o verdadeiro Amor. Aquele que não manipula, seduz ou engana. Sabia que o Amor não faz esforço para parecer o que não é. Não é aquele que ensaia o próximo passo para dar continuidade à trama… “Não, o Amor não é filme”, pensava Sonhadora. Filme é trama, ensaio, é arte, imitação. Sonhadora queria mais do que isso.

Queria cumplicidade de interesses, amizade, respeito e segurança. Queria entender e aceitar imperfeições, erros, fragilidades, escorregões  e fracassos. Sonhadora teria muito que aprender para reconhecer o Amor quando ele aparecesse. Ainda mais porque Controle trazia satisfação. Era vaidoso, autoritário, eficiente e intenso, mas não lhe dava tranquilidade e nem felicidade. Inebriada de pujança não conseguia enxergar o desejo de sua alma e demorou a livrar-se de Controle.

Até que resolveu procurar Solidão, sua amiga de longa data, para um desabafo profundo.

Solidão ouviu com paciência e calma, tomando cuidado redobrado para não assustar Sonhadora, que evitava a tristeza e ainda não via em Solidão uma parceira importante para sentir de dentro o que realmente desejava. Solidão viu de um lado Sonhadora, buscando felicidade, e de outro Controle, buscando satisfação. Porém ficou aliviada ao ver que Sonhadora estava no caminho certo, procurando ajuda para ouvir seu próprio coração. Solidão só pedia que Sonhadora fosse honesta consigo mesma.

E tivesse serenidade.

Sonhadora se isolou com Solidão por um bom tempo, mesmo quando estava cercada de pessoas e afazeres. Deixou a amiga dentro do peito para que ela a ajudasse a ouvir o que vinha de sua essência. E foi só quando percebeu que faltava honestidade entre os dois que decidiu abandonar Controle para tomar as rédeas dos seus desejos. E assim seguiu por um tempo. Amor chegou sem avisar e ela, de tão cuidadosa, não acreditou logo de primeira. Contudo, até que foi bom.

Tsuru: felicidade, saúde e sorte

Sonhadora deixou o sentimento amadurecer e quis entender o que estavam sentindo. Cruzaram os desejos dos dois para saber se seriam cúmplices. Compartilharam seus anseios para ver se havia respeito. Generosa e amorosa, abriu seu coração para fazer crescer segurança e assim o verdadeiro Amor a conquistou.

Hoje, ainda sonhadora, dorme com o cheiro das rosas e o canto dos pássaros coloridos em seus sonhos.

Ela sabe o que quer e o jeito que pode ser.
Nunca mais Sonhadora abrirá espaço para Controle em sua vida.
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Arquivado em Crônica, Prosa