Arquivo do mês: novembro 2011

Hoje é dia de conto!

Às quartas o Faiscador posta na Oficina Compartilhada.

Boa leitura!

Em busca de vestígios

João 8:7 = E, como insistissem, perguntando-lhe,
endireitou-se, e disse-lhes:
Aquele que de entre vós está sem pecado
seja o primeiro que atire pedra contra ela.
Minha cabeça cai num abismo e uma das outras assume o controle. Quem é essa? Me pergunto no dia seguinte… Tento buscar alguma fagulha de pensamento no fundo do poço e só o que vem é a frase do pobre coitado, pensando alto “Você é muito linda, o beijo que você me deu…”.
É claro que ele não estava entendendo nada. Eu também não estava…
O que uma garota como eu estaria fazendo com aquele estranho num motel barato da Praça Mauá? Provavelmente fugindo. De mim… Dele…
A primeira vez tinha classe. Acordei em Laranjeiras, piano ao longe… Longe?!?!? Não!! Bem perto. Ele parou de tocar, disse que tinha café, e eu atordoada só conseguia dizer que estava atrasada – e estava mesmo, era a estréia do meu primeiro projeto solo. Quando eu voltei do banheiro ele perguntou:
– Você perdeu alguém?
– A gente vive perdendo, né?
– Ontem você estava correndo risco de vida…
– Você é um anjo… Como é que eu faço pra ir embora?
– Você está em Laranjeiras, é só descer.
– Obrigada…
– Tchau….

Podia ser pior, e acabou sendo. Praça Mauá, sem o menor vestígio de memória. Eu já perdi alguém e deste jeito vou acabar me perdendo também.

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Joshua Tree: um final de semana no deserto

A quantidade de moinhos impressiona

Minha primeira aventura no deserto!! Nunca achei que pudesse gostar de turismo pederegoso. No caminho, uma quantidade considerável de moinhos de energia eólica enfeitam a paisagem.

O Parque Nacional de Joshua Tree é um dos cerca de 400 parques nacionais dos Estados Unidos e comemora em 2011 o seu 75o aniversário. Tem um total de 585,000 acres e é 80% selvagem, incluindo partes do Deserto do Mojave e do Colorado.

O selo comemorativo dos 75 anos do parque

Leva o nome da árvore de Joshua (ou de Josué) que é  uma espécie de cacto, encontrada quase que exclusivamente nesta área do Mojave. Enchemos um cooler de comidinhas e bebidas refrescantes para colocarmos o pé na estrada. Embora a primeira ideia fosse acampar, desistimos da aventura devido ao calor que ainda estava fazendo no início de setembro.E confesso que se acontecesse o tal acampamento seria minha primeira experiência na vida. Pasmem, nunca acampei.

Para a primeira noite reservamos a pousada The Joshua Tree Inn, na cidade minúscula de 29 Palms, no meio do deserto. O site não faz jus ao conforto do local, que tem o privilégio de possuir uma piscina bem grande (!). Depois vi que a página deles no Facebook tem fotos maravilhosas que passam a magia do lugar.

Joshua Tree

É administrado por um jovem casal Zen e o cara faz o próprio chai, o famoso chá indiano. Uma delícia e a garrafa térmica na sala do café está sempre cheia. Após fazermos o check-in procuramos um lugar para almoçar e achamos o Crossroads Cafe, pequeno e aconchegante. Escolhi Chicken-Cilantro Soup e depois dessa experiência só quero saber de canja com coentro!

O Museu

Um outro lugar gostoso que comemos foi o Joshua Tree Saloon e ao lado do restaurante uma surpresa: o mundialmente famoso Museu do Crochet!!

A segunda noite foi outra experiência fantástica, nos hospedamos no Hicksville Trailer Place. Uma pousada cujos quartos são trailers charmosos, cada um com uma decoração diferente. A figura que administra o lugar é um personagem que parece saído direto de um dos filmes do David Lynch e eles têm políticas severas de privacidade como ligar meia hora antes de chegar e não fazer check-in no Facebook ou no Foursquare…

Hicksville

Em 2009 a Revista TPM fez uma matéria sobre o deserto californiano que também dá algumas dicas interessantes. Leia aqui!

Não vejo a hora de voltar! O deserto deixou saudades!

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Dia de prosa

Hoje é quarta-feira, dia de conto na Oficina Compartilhada e o Faiscador contribui com sonhos:

Top Dream

Essa semana tive um monte de gente do passado pipocando nos meus sonhos. Eu nunca achei que meus sonhos tivessem significado prático algum. Às vezes sonho algo relacionado ao que pensei ou vivenciei durante o dia, o que é quase uma auto indução. Outras, fantasmas enterrados surgem do abismo silencioso sem aviso prévio.

E nesse vai e vem de vivos mortos o que acaba acontecendo é que no meio do dia você se lembra do sonho e acaba filosofando um pouco mais sobre sua vida – o que na maioria das vezes é uma perda de tempo. O top dream da semana foi o o casamento simbiótico com a pessoa que eu mais amei na vida. Mais do que a mim mesma, e por isso deu no que deu.

Em vez de sermos duas pessoas inteiras se relacionando, viramos duas meias pessoas com projeções. E o que antes era um casal, virou uma pessoa só. Mais ou menos isso. Acontece com a maior parte dos casais em maior ou menor grau, e no meu caso o grau foi extrapolado. Calamidade privada na certa. Uma tristeza.

Acabei buscando, mais uma vez, informação sobre relacionamentos simbióticos e achei um blog muito interessante. Lá, a doutora dizia que tem solução, embora afirme que seja mais fácil falar do que fazer. “Mas é só achar dentro da gente aquele lado que está perdido e recuperá-lo. Voltarmos a sermos um indivíduo por inteiro.”, afirma a médica.

E nesse momento existencialista cheguei à conclusão que nossos momentos de amantes eram mais sinceros. Ele estava comigo, eu estava com ele. E não havia mais nada lá fora. A partir do momento em que nos tornamos além de amantes, sócios, marido e mulher, além de melhores amigos e ‘parceiros no crime’, a coisa desandou.

É… Não dá pra ter tudo na vida…. Já dizia o sábio… E num relacionamento, não dá para ser tudo um do outro. Tem que, primeiro, ser inteiro.

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